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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Magic Mystery Tour

      Acabo de assistir, nesse exato momento, ao filme Magic Mystery Tour e, com a euforia que eu fico cada vez que vejo algum filme dos Beatles, fica impossível ficar quieta sem escrever alguma coisa sobre isso, ou pesquisar mais a fundo sobre a história da película. Pra começar, vou relatar o que acabou de acontecer: tirei 1.159 prints do filme (isso mesmo, mil cento e cinquenta e nove); é possível assistir ao filme apenas pelos prints, vendo uma imagem logo em seguida da outra. Mas enfim, fiz isso porque, sempre que vejo o Fab Four, não consigo retirar de mim o sentimento de que preciso documentar as melhores imagens possíveis da história da vida deles. Não é TOC. É amor.


MAGIC MYSTERY TOUR (1967)


      O filme é baseado numa viagem que o Ringo faz com sua tia, Jessie, em um ônibus considerado mágico e misterioso e com viagem sem destino. Obviamente, no começo do filme toca a música Magic Mystery Tour, exibindo o ônibus e os passageiros que nele viajarão. A relação do Ringo com sua tia começa com tons ácidos, sendo que sempre estão brigando, aparentemente sem motivo convincente e apenas pelo jeito que ela se comporta. 


      Logo depois de o ônibus seguir viagem, a próxima música que aparece é The Fool on the Hill, com o Paul sobre uma montanha cantando e interpretando muito bem o papel do personagem da música: um tolo - o que se demonstra, em alguns atos, por suas expressões faciais. Na minha humilde opinião, essa é música mais bonita do álbum; a letra é de tocar a alma, tal como a melodia, que me faz sempre fechar os olhos ao ouvi-la. 


      A próxima parte da viagem se destina a um campo. Nesta parte, Paul está vestido de sargento, e tem um companheiro que grita o tempo todo com os viajantes em uma língua que eu não identifiquei (até porque nessa parte do filme não apareceu tradução) - seria alemão? Bom, não sei, e também não entendi direito o significado dessa parte do filme (aliás, pra quem quer assistir, se prepare, pois "sem sentido" e "psicodélico" são as principais características do filme). Só sei que em seguida todos entram novamente no ônibus e vão parar em um outro campo, onde há um mini palco montado. Um anão, participante da viagem, decide tirar uma foto de todos; o engraçado é que, como a máquina era daquelas bem antigas, ele precisava entrar debaixo do pano para fotografar - porém, quando ele sai de baixo do pano, após ter tirado a foto, ele volta não mais com sua aparência humana, e sim com uma máscara de leão. Cadê sentido? 


      Em seguida, a música que aparece é Flying. No momento desta música, o que é mostrado são imagens de paisagens, principalmente montanhas. Até aí parece normal, mas há um porém: as imagens vão passando de uma cor a outra - vermelho, azul, amarelo, verde, laranja (não exatamente nessa ordem). Querem algo mais psicodélico que isso? Por mais que pareça um roteiro fraco, em nenhum momento deixa de ser interessante e especial. Ainda nessas cenas, o cenário passa das montanhas às nuvens, ainda coloridas. 

      O narrador do filme, em terceira pessoa, é John Lennon, e neste momento ele narra uma das frases que, apesar de ser surreal, provavelmente foi a que eu mais gostei do filme: "Além do horizonte azul, bem acima das nuvens, em uma terra que ninguém conhece, vivem quatro ou cinco magos, que passam o dia fazendo feitiços maravilhosos. Venham comigo a esse lugar secreto, onde os olhos dos homens nunca antes pisaram!". Apenas um dos magos não é interpretado pelo Fab Four. Tenho que dizer que fiquei APAIXONADA pelo Paul vestido de mago; ficou lindo, maravilhoso, perfeito e todos os outros adjetivos possíveis. São esses magos que interferem no destino ônibus, criando situações inusitadas e, muitas vezes, sem sentido.


      John continua narrando enquanto os personagens curiosos, dentro do ônibus, apreciam a paisagem pela janela: "Enquanto isso, dentro do ônibus, coisas estão acontecendo... A vida segue seu curso... De fato, a magia é tão poderosa, que até o Sr. Bloodvessel sai de sua toca e se põe a falar!". Nesta parte, esse senhor declara seu amor à tia de Ringo, porém vou deixá-los desfrutar por si próprios, pois é uma cena romântica entre os dois que chega a aquecer o coração de cada um que assiste.

      E então chega, na minha opinião (e sei que várias pessoas compartilham), o melhor clipe do filme que consagrou, também, uma das melhores músicas do álbum: I Am the Walrus. Eles vestem fantasias que, muitas vezes, chegam a assustar (se estivéssemos num cenário de filme de terror, por exemplo). É bem surreal e psicodélico, mas faz parte, até porque o nome da música é "Eu sou a Morsa". John Lennon dá um show com o canto e com a letra da música.




      Já chegando ao final, todos os passageiros do ônibus entram numa tenda minúscula; porém, por dentro, a tenda se transforma num lugar grande e espaçoso: um cinema (Harry Potter feelings). Nesse momento, todos se reúnem para assistir o que está passando na tela: George cantando a música Blue Jay Way. Sinceramente, nunca gostei muito dessa música; mas as cenas do filme, mostrando o George cantando, me fizeram mudar de opinião. Ainda não chega a ser uma das preferidas, mas mudei um tanto quanto em relação ao meu antigo posicionamento.


      Então eu comecei a ficar triste, por faltar poucos minutos para o fim do filme e ainda não ter tocado uma das minhas músicas preferidas: Your Mother Should Know – mas apareceu, e com certeza fechou o filme com chave de ouro. Todos os besouros estão vestidos com roupa de gala branca, dançando em sincronia (em um baile de gala, com vários dançarinos de fundo). Em uma parte da música apenas o Paul começa a dançar fora do ritmo, o que achei engraçado e, não sei por que, mas o achei mais lindo do que nunca; sempre que ele faz essas coisas diferentes (típico dele), me encanto sempre mais um pouco.


      Esse filme foi produzido em 1967, dois anos depois do último que gravaram (Help!), sendo o terceiro filme a ser produzido sobre eles. Porém, com um diferencial: eles mesmos foram os produtores e diretores do filme. A ideia de fazer a película foi do Paul, a partir da letra que compôs (Magical Mystery Tour, também título do filme), mas todos participaram com igual presença. Teve como principais personagens familiares, amigos, fãs e amadores.

      Na época, o filme foi alvo de muitas críticas (e quando eu digo muitas, realmente são MUITAS). Quem é fã de Beatles provavelmente não concorda com essas críticas (e não apenas os fãs): eles apenas tentaram inovar e radicalizar o cinema, com uma produção própria no estilo de suas vidas, de suas músicas e da época em que viviam – tudo psicodélico e retratando situações que geralmente não fazem sentido. Sempre que alguém tenta inovar, acaba virando alvo de críticas. A sociedade nunca aceitou de forma acolhedora o “diferente”. E essa inovação prova que conseguiram alcançar seus objetivos: o filme encantou milhares de fãs pelo mundo inteiro, num roteiro diferente, mágico, misterioso (apesar de ter sido de baixo orçamento). Apesar de não ter sido tão bom quanto os outros filmes, não significa que perdeu sua qualidade.

      Embora o filme de 53 minutos tenha sido filmado em cores, estreou na televisão britânica em preto e branco. Transmitido pela BBC1 às 20h35 no Boxing Day, o filme imediatamente atraiu controvérsias generalizadas e os meios de comunicação se indignaram. 'Como eles ousam?', eles gritaram, 'Eles não são diretores de cinema! Quem eles pensam que são?', chegaram a bradar críticos de cinema em programas de TV da BBC”.

      Pesquisando, encontrei o seguinte trecho, que analisa o filme de uma forma mais profunda:

      “O projeto foi uma tentativa de McCartney de tirar os Beatles da letargia após a morte do empresário. A ideia era fazer um road movie misturando a ingenuidade e o humor de “Help!”, de 1965, com algumas pitadas de cinema de vanguarda (inspiração em Jean-Luc Godard, cineasta francês), mas tudo como se fosse um documentário sobre uma trupe maluca de artistas  em viagem pela Inglaterra”.

      As músicas que tocam durante o filme são todas do “Side 1” do álbum Magic Mystery Tour, lançado em 1967. Apenas a música Flying é instrumental; todas as outras são cantadas por Paul, John, e apenas Blue Jay Way pelo George. O filme foi lançado no Natal deste mesmo ano.

      Por fim, vou deixar aqui um desafio: depois da metade do filme, Jessie, tia do Ringo, está com tanta fome que tem um sonho; quem vai ter coragem de comer macarrão depois de assistir a essa cena? Eu não tenho.


      That’s all, folks!

Resenha por: Rebeca Reale

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Help!

HELP! (1965)


      Sou meio suspeita pra falar desse filme, mas vou tentar dar uma opinião, pelo menos em parte, imparcial, que não leve em conta apenas o vício que eu tenho pelo Fab Four. Mas, realmente, pra um filme de 1965, cujos atores são os cantores da banda mais famosa do mundo (naquela época e, na minha opinião, até hoje), o filme foi muito bem produzido e as atuações foram mais que ótimas (digo isso pois existe gente que canta muito bem, mas não nasceu pra fazer filme). Fez jus ao gênero comédia, pois risada é que não falta durante o decorrer do filme. São tantas cenas, algumas bizarras, algumas nonsense, misturadas com a ingenuidade dos próprios Beatles, tal como a felicidade e humor de cada um (que você percebe em cada atuação), é o que deixa essa mistura completa e deliciosa de se assistir.

      Como de costume, o foco do filme é em relação ao pobre Ringo. Sempre tem que ser o Ringo, né? E o que acontece: existe uma seita em Bahamas, onde seus membros fazem um sacrifício todos os dias, em homenagem a Deusa Kali. Só que, ao sacrificar uma moça, que já estava pintada de vermelho (algo que faz parte do ritual), perceberam que ela não estava usando o anel do sacrifício. E é por causa desse anel que os problemas chegam aos nossos queridos Beatles, no caso, ao Ringo. Descobrem, então, que o anel do sacrifício estava no dedo de Ringo, o que nos leva à Londres, onde realizam várias tentativas bizarras para recuperar o anel, tais como: dar uma injeção de encolhimento no dedo do Ringo (o que não dá certo, mas acontece outra coisa nonsense, que não vou contar); prender a mão do Ringo dentro de um secador, enquanto ele a secava; serrar uma forma de círculo no chão em que o Ringo estava tocando bateria, durante um ensaio, entre outras coisas muito engraçadas. Confira:

(A injeção encolhedora)

(A tentativa de tirar o anel da mão do Ringo, dentro do secador)

(O círculo serrado ao redor de onde Ringo está sentado)

      E ainda a situação se complica: com o nascer de outro dia, a pessoa que deve ser sacrificada é aquela que está usando o anel, e não mais a que seria sacrificada anteriormente. Ou seja: o objetivo, agora, é ir atrás do Ringo para sacrificá-lo, e não mais para recuperar o anel. Além de tudo, existem dois cientistas (nada profissionais) que também querem o anel, pois acreditam que ficarão poderosos caso o consigam. Além da seita atrás do Ringo, há também os cientistas, o que traz muito mais problemas aos meninos. Assim, além de Bahamas e Londres, também vão parar nos Alpes Suíços (onde cantam a música Ticket to Ride), e, mesmo nessa tentativa de fuga para algum lugar distante, nenhum dos perseguidores desiste, indo atrás deles em qualquer lugar que seja. Tudo teria sido resolvido facilmente, mas o grande problema é que o anel não sai a nenhum custo do dedo do Ringo.

      Uma das coisas que eu sempre gosto, em se tratando de filmes dos Beatles, é o humor irônico do John. Desde o filme “A Hard Day’s Night” (1964) percebe-se que ele é o mais irônico e sarcástico do grupo, mas não vejo isso como algo ruim; acredito que seja uma das melhores coisas quando se trata de filme, é um atributo, e não um defeito, pois os diálogos se tornam mais acirrados, e você vê ali uma personalidade diferente, que na hora faz você rir e pensar “Nossa, essa foi foda!”. Como, por exemplo, em uma cena dentro de um restaurante, quando o John pede sopa; dentro do prato, além da sopa, vêm um óculos e um talão de temporada, e ele apenas diz “Gosto de bastante tempero em minha sopa”. Acredito que esse humor do John é um diferencial, que faz falta em muitos filmes atualmente.

(Um óculos no prato de John)

      Na minha opinião, o álbum Help! é o melhor de toda a existência dos Beatles. Pode não ser o preferido de muita gente, mas todos que eu conheço sabem reconhecer que as músicas estão, realmente, entre as melhores que já fizeram. Na trilha sonora não faltou: Help!, The Night Before, You’ve Got To Hide Your Love Away, I Need You, Another Girl, You’re Going to Lose That Girl e Ticket to Ride (que é o lado A completo do CD, sendo que todas essas foram compostas pelo John e pelo Paul – com exceção de I Need You, composta pelo George e também cantada por ele).

      Minha cena preferida é a da música The Night Before (apesar de não ser a minha música preferida); todos estão felizes cantando (detalhe para as expressões engraçadas do Ringo), e o Paul ainda esbanja um charme que derrete o coração até de quem um dia já pôde achá-lo feio.

      Enfim, eles passam por tantas situações engraçadas e nonsense, bem a cara da época em que o filme foi feito, que você assiste o filme sorrindo e com vontade que nunca acabe. Os meninos deixaram um legado não só na história da música, como também na história do cinema. 

      Por isso merece 5 estrelas: por terem feito um filme que seguiu exatamente o gênero comédia, e com sucesso, pelas situações bizarras que caracterizam a personalidade da época em que viveram e também suas próprias personalidades, pela atuação de cada um, que, na minha opinião, foram puras, pois dá pra perceber como eles se divertiam ao fazer cada cena e, também, com certeza, por tocarem várias músicas que considero estar entre as melhores que já fizeram.

      E fica aqui o melhor print do filme, uma piscadinha do Paul durante a música You've Got to Hide Your Love Away, especialmente para vocês (pra mim, na verdade, hahaha).


Resenha por: Rebeca Reale