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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Suave é a Noite

      Claro que todas as resenhas que eu faço são pra vocês, leitores do blog. Mas essa é especial <3

TENDER IS THE NIGHT (1962) 



      O filme começa com um casal e dois rapazes na praia na Riviera Francesa, planejando uma festa em comemoração ao 04 de julho. Tratam-se de Nicole (Jennifer Jones), casada com o médico Dick (Jason Robards); Abe North (Tom Ewell) e Tommy (Cesare Danova). Para a festa, eles convidam dois casais que também estavam na praia, e uma bonita atriz, Rosemary Hoyt (Jill St. John).

(Da esquerda para a direita: Abe, Tommy, Dick e Nicole)

(Rosemary Hoyt)      

      Na festa, tudo corria bem, até que Nicole tem um acesso de ciúme ao ver Dick indo ao jardim com Rosemary (que se insinua bastante para o anfitrião – até irrita, sério). No dia seguinte, o médico, em seu escritório, começa a se lembrar do passado, e, consequentemente, de como conheceu sua esposa e amor de sua vida.


      Nicole tinha sérios problemas psicológicos por causa de seu pai. Em decorrência deles, sua irmã, Baby Warren (Joan Fontaine), torna-se sua tutora legal e a interna em várias clínicas psiquiátricas. Mas a única em que houve significativos progressos foi a do Dr. Dohmler (Paul Lukas), em Zurique, na Suíça, na qual Dick era responsável direto pelo tratamento.


      Era perceptível que havia um romance entre médico e paciente, por mais que o doutor quisesse evitar a situação. É emblemática, então, a conversa entre Dick e o Dr. Dohmler, em que o primeiro confessa estar apaixonado por Nicole. O experiente psiquiatra apresenta sua teoria: por mais que houvesse amor entre o casal, sua história era fadada ao fracasso, pois Nicole via Dick não apenas como um homem, mas como um deus ou qualquer outro ente divino. Um dia, porém, ela perceberia que seu marido não era tudo isso, e se decepcionaria, provavelmente, a ponto de se separar.


      Dick dá alta à Nicole, e não lhe dá esperanças de um romance. Tempos depois, eles se encontram casualmente, ela o convida para um jantar e o amor floresce; a cena seguinte é o casamento deles. Bom ressaltar que Dick deixa bem claro seu desinteresse pela fortuna da esposa.  Eles vivem tranquilos por um tempo, e ele, inclusive, deixa sua carreira de lado na Suíça para continuar na Riviera Francesa.

      O flashback acaba bem após uma festa de ano novo, em que Nicole se nega veementemente a voltar para a Suíça. Ela acorda (trata-se do dia seguinte à festa comemorativa da Independência americana, aquela do início do filme) e diz que quer atravessar a baía de barco, mas Dick se nega, e convence a mulher de que precisa voltar a trabalhar, precisa “salvar os dois”. Eles vão, então, para Zurique.



      A ideia do médico é se unir a um antigo amigo, Dr. Franz (Sanford Meisner) para assumir a clínica do Dr. Dohmler, já velho e doente. Eles começam o negócio, mas as coisas não funcionam muito pra Dick. A partir daí, segue-se uma série de acontecimentos que vão colocando em risco não só a carreira do psiquiatra, mas também seu casamento, visto que, desde o fim do tratamento de Nicole, ele abandonou a carreira e passou a se tornar extremamente dependente da esposa, tanto emocional quanto financeiramente.

      Deixo aqui pra vocês, então, a curiosidade em saber se a teoria do Dr. Dohmler se concretizou ou não. E o que mais aconteceu ao casal.

      Tender is the Night é uma grande história de amor, embebida por uma sensacional trilha sonora (cujo carro-chefe, digamos, é uma música de mesmo nome, composta por Sammy Fain e Paul Francis Webster). Trata não só da relação entre o casal protagonista, mas de questões relacionadas à personalidade de cada um dos envolvidos na história. Todos têm uma característica específica; Dick e Nicole, inclusive, apresentam uma evolução – ou involução? – incrível no decorrer da trama. 

      Sei que pode parecer absurdo, mas fiz uma comparação entre esse filme e Casablanca. Ainda que 20 anos separem uma obra da outra (o primeiro é de 1962 e o segundo, de 1942), há uma série de aspectos que se aproximam, desde a belíssima trilha sonora até a abordagem de um romance, que não se sabe se pode ou não dar certo.

      Rick e Dick assemelham-se, pelo menos pra mim, não apenas no nome. São homens fortes, mas com um ponto fraco: o amor. Nenhum dos dois é decididamente um bom moço; assim como Nicole e Ilsa também podem não ser as mocinhas perfeitas. Sei que tudo isso pode parecer um impropério para os cinéfilos, mas comparei, e pronto.

      São dois filmes decididamente maravilhosos, obras de arte, sem dúvida. Tender is the Night foi uma recomendação muito especial, e deveria ser mais reconhecido (apenas 20 pessoas o viram e marcaram no Filmow, por exemplo). Enfim, ainda que tenha dado um bocado de trabalho para encontrar, valeu o esforço. Super recomendo, até a próxima.


      Link para download: o filme completo pode ser encontrado no Youtube, mas sem legenda.

Resenha por: Stephanie Eschiapati

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Luzes da Cidade

      De todos os filmes do mestre Chaplin que já assisti, com certeza este está em primeiro lugar da lista de filmes mais lindos, tocantes, especiais, enfim, lindos que ele já fez, e também entre os que existem no mundo do cinema.

CITY LIGHTS (1931)


      Já virou mania minha e acho simplesmente uma delícia assistir filmes antigos, mudos e em P&B e, principalmente, filmes do Chaplin, que com certeza são os melhores que existem quando reunidos os três itens acima.


      City Lights conta a história de um vagabundo, mendigo, morador de rua, pobretão – qualquer um desses adjetivos cabe ao personagem vivido por Chaplin -, que se apaixona por uma florista cega, também pobre. Ela é uma florista simples, que vende suas flores dentro de uma cesta pelas ruas da cidade. Por uma coincidência do destino, quando o vagabundo e a florista se encontram, dá-se a entender (pela “visão” dela) que ele é um milionário e, para não desapontá-la (pois foi love at first sight), ele acaba levando a mentira adiante. 


      Andando pelas ruas, acontece outro incidente com o vagabundo: passando próximo a uma represa, ele encontra um homem bêbado prestes a se matar, impedindo-o de realizar tal ato. O bêbado fica tão grato, mas tão grato com a ação do vagabundo por ter salvo sua vida que, instantaneamente, o rotula como seu melhor amigo, levando-o à sua mansão e oferecendo-lhe as melhores bebidas. Mas nesses tipos de situação sempre há um “porém”: depois que o milionário bêbado acorda, já no dia seguinte e sem a influência do álcool na cabeça, ele esquece completamente que fez um melhor amigo na noite anterior, passando o vagabundo a ser um desconhecido para ele.


      Assim, o filme se passa sempre com as tentativas do vagabundo em conquistar a florista cega e ajudá-la em tudo o que precisar. Ele acaba descobrindo que a florista e sua avó precisam pagar o aluguel dentro de um dia, senão serão despejadas. Só que elas não possuem esse dinheiro. A florista fica realmente muito triste, pois ela dedica sua vida apenas à sua avó.

      O vagabundo, cheio de amor e compaixão pela situação, resolve fazer de tudo para conseguir o dinheiro para que o aluguel fosse pago. Arruma um emprego de varredor de ruas, mas é demitido sem dinheiro suficiente para ajudar sua amada. Em outra tentativa, decide lutar box para receber o prêmio em dinheiro caso fosse o vencedor. Ainda, numa última tentativa, pede dinheiro ao amigo milionário enquanto ele estava bêbado, recebendo de maneira fácil e alegre mil dólares. Só que a partir disso a coisa se complica, pois o milionário fica sóbrio e julga que o vagabundo roubou seu dinheiro: é uma total confusão, recheada de partes engraçadas, e o vagabundo sempre tentando chegar até sua amada florista para lhe dar o dinheiro do aluguel.

(Tradução: Determinado a ajudar a garota, ele encontrou um trabalho)

      Além disso, pensando mais à frente, o vagabundo encontra no jornal um artigo sobre cirurgia de olhos, e seu maior desejo é que sua florista volte a enxergar; ela, já apaixonada por ele (mas não por acreditar que ele fosse rico, e sim porque ele sempre foi bom com ela), mostra grande felicidade, pois, se voltasse a ver, poderia enxergar aquele homem que sempre se importou com ela. E o final desse filme é algo maravilhoso, que sempre encheu meu coração de esperança e alegria. Então, fica por conta de vocês assistirem essa obra-prima pra entenderem sobre a grandeza de que estou falando. Au revoir.


Resenha por: Rebeca Reale