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terça-feira, 23 de abril de 2013

Depois de Lúcia

      Os filmes estrangeiros vêm ganhando espaço no cinema devido às suas ótimas películas, que se sobrepõem aos outros, tanto no quesito história quanto no quesito produção. Um desses filmes é Después de Lucía, que, para mim, é um belo exemplo de violência gratuita, mas com o intuito de demonstrar uma realidade que muitos tentam ignorar.

DESPUÉS DE LUCÍA (2012)



      Esse filme possui cenas fortes, que me fizeram pausá-lo várias vezes pra digerir o que estava acontecendo. Para conseguirmos uma resenha mais detalhada, terei que expor pelo menos uma das crueldades que acontecem com Alejandra durante o filme, mas vou deixar um alerta de “Spoiler!” antes, para que as pessoas que ainda não assistiram não fiquem bravas.

      Os primeiros minutos do filme são realmente parados, e isso pode fazer com que até os mais interessados desistam de assisti-lo. A câmera se localiza o tempo todo no carro do pai de Alejandra, protagonista da história. Digamos que os próximos minutos do filme não possuem vínculo algum com o resto da história, mas, se pensarmos bem, podemos comparar esse começo com o final do filme, especificamente a última cena: é demonstrado como o pai de Alejandra lida de forma não tão pacífica com as coisas que contrariam seus interesses. Tanto no começo quanto no final do filme, sua atitude revela essa falta de paciência.


      Os próximos minutos mostram a viagem que Alejandra faz com seu pai. Um acidente que matara a mãe de Alejandra fez com que os dois mudassem de cidade, com o intuito de tentar esquecer essa depressão que estava atingindo suas vidas. Bom, até aí tudo bem. E até alguns minutos depois, tudo bem também.


      Alejandra muda para uma nova escola. Uma escola um tanto quanto “autoritária”, cujas viagens escolares são obrigatórias, além de fazerem um exame de doping periodicamente nos alunos. No exame de Alejandra aparece um problema: constatação de maconha. Seu pai é chamado a comparecer na diretoria para ser informado sobre o fato, e é alertado que, se outra constatação como essa ocorresse novamente, a expulsão de Alejandra de certo aconteceria. Fora do estabelecimento educacional, pai e filha conversam, e podemos verificar o quão pacífico é o relacionamento dos dois: ele perdoa o que ela fez, sem mais delongas.




      A garota faz amigos na escola e aceita o convite para passar um final de semana na casa de um deles. Todos fumam maconha, mas Alejandra se recusa por medo do exame de doping escolar. E foi justamente esse dia o princípio de todo o sofrimento pelo qual ela passaria pelos próximos meses de sua vida: Alejandra transa com um dos amigos, permitindo que ele gravasse tudo com a câmera do celular. Ela não exigiu que ele apagasse o vídeo posteriormente, mas confiou que daquele aparelho nada sairia para o mundo das divulgações. A partir daqui é bem óbvio o que acontece: o vídeo vai parar na internet.


      Podemos perceber também que os “amigos” de Alejandra são todos falsos (also known as “falsianes”, hahaha). O garoto com quem ela transou se desculpou - disse que pegaram o celular dele e  postaram o vídeo sem sua autorização. Já as “amigas” não agem com a mesma atitude: uma delas era “ficante” desse garoto, e ela desempenhará o papel principal nos atos terríveis que serão praticados contra Alejandra.

      O filme trata, portanto, da questão do bullying. Só que esse bullying, na história de Alejandra, é algo horroroso, uma violência gratuita sem fim, com atos inimagináveis praticados contra uma pessoa que não fez nada demais. Alejandra é chamada de “puta” a todo instante, e eu vou contar agora uma coisa horrorosa que fizeram com ela. Uma coisa horrorosa e muito nojenta.




      SPOILER! - no texto e nas imagens.

      No dia do aniversário de Alejandra, os amiguinhos da escola decidem lhe fazer uma grande surpresa - e que surpresa. Era o final da última aula, e quando Alejandra tenta se levantar de sua carteira para ir embora, eles a obrigam a sentar e ficar ali, para presenciar praticamente o auge das humilhações já sofridas por ela até aquele momento. O que acontece é algo extremamente nojento e cruel, e essa foi uma das cenas em que eu tive que pausar o filme para conseguir digerir o que estava acontecendo.



      Os amigos de Alejandra levam um bolo pra ela. Isso mesmo, só que esse bolo é feito de fezes. Cocô. Ou qualquer outra palavra derivada que vocês prefiram. E eles obrigam Alejandra a comer praticamente o pedaço inteiro. E ainda dizem que não é para sobrar nada, visto que demoraram muito tempo no banheiro para que a obra ficasse pronta. Sério, eu ainda não consigo acreditar que na vida real coisas assim acontecem. Mas só não acreditamos porque, talvez, esse tipo de coisa não faça parte de nossa realidade. É uma tortura pela qual eu nunca imaginaria passar.


      FIM DO SPOILER!

      Enfim, essa é apenas UMA das inúmeras cenas cruéis que acontecem com Alejandra. O problema é que, atualmente, muitas crianças e adolescentes sofrem com as mesmas e outras situações, porém ocultam tais fatos por vários motivos: medo, depressão, negação, vergonha etc. No caso de Alejandra, por exemplo, o problema estava relacionado ao seu pai, pois ela tinha vergonha que ele soubesse que ela gravou um vídeo de sexo. Portanto, ela aceita as humilhações (mas não eternamente).

      A cena final é uma grande reviravolta na história. Foi algo sensacional e que eu adorei ter acontecido, apesar das tantas tragédias que ocorreram durante o filme.


      Lembrando, também, que os cortes de cenas, além da fotografia, são realmente muito bons e diferentes dos filmes convencionais (e essas são as características que sempre fazem com que eu goste mais de um filme do que do outro). É realmente um grande filme, forte, realista, perturbador. Nem vou me alongar no tema bullying, pois acredito que todo mundo sabe o quão horroroso é e quão presente está no mundo.

      É realmente um grande filme, forte, realista, perturbador. Nem vou me alongar no tema bullying, pois acredito que todo mundo sabe o quão horroroso isso pode ser e quão presente está no mundo. Gostaria que, quem pudesse, assistisse o quanto antes esse filme pra me contar o que achou. Só não dou cinco estrelas porque o filme me fez sentir mal algumas vezes.

      E a pergunta que fica é: quem, afinal, é Lucía? Ao que tudo indica, era a mãe de Alejandra, porém, se alguém tiver mais alguma opinião sobre isso, por favor, fiquem à vontade para informar.

Resenha por: Rebeca Reale

      Link para download (formatos RMVB legendado e AVI + legenda):
      Clique aqui.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

As Vantagens de Ser Invisível

      NOVIDADE: além dos posts feitos por mim (Rebeca), e pela Stephanie, abrimos lugar para que outras opiniões sobre filmes se encaixem em nosso blog. Portanto, nessa seção de posts especiais, tenho o prazer de deixar aqui o post do Gian, sobre o filme As Vantagens de Ser Invisível.

THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER (2012)


      O nome estranho remete a pensamentos sobre o que o filme poderia abordar, ou então, o que seria ‘ser invisível’. Primeiramente, antes de entender tudo ou qualquer coisa que o filme possa querer mostrar, é bom apenas ter em mente que tipo de filme é este, e a melhor resposta é: filme impessoal, atemporal e sem localização. Salvo as menções sobre Universidades que nos remetem aos EUA, o filme poderia estar contando a história de qualquer um, em qualquer fase de sua vida.


      Charlie (Logan Lerman) é um garoto de 15 que escreve cartas para um amigo, e não obtém retorno algum, pois é assim que ele quer. Ele começa narrando sua história com o medo que está para enfrentar o primeiro dos 1385 dias de Ensino Médio, apontando suas preocupações para essa época de sua vida:

- Ele não tem amigos, nem com quem se sentar no horário do almoço;
- Tem medo por ser um aluno exemplar na aula de inglês avançado, e medo de ser incompreendido por isso, e por outras coisas;
- Não quer que seus pais achem que ele piorou e...
- Ele não quer piorar.


      O que pareceria um típico filme americano sobre bullying e ‘populars X nerds’ mostra sua complexidade entrando em cada personagem e mostrando os verdadeiros sentimentos e temores, aparências e essências de cada um. Aquele que assistir ao filme e não se identificar com qualquer que seja o personagem da trama, ou não prestou atenção no mesmo, ou ele próprio não se conhece.

      Charlie, então, se direciona para um aluno que ele acha engraçado e que não o trata com indiferença ou asco, como qualquer outro veterano faria. Patrick (Ezra Miller), ou o ‘Nada’, o convida para entrar em seu grupo de desajustados, juntamente com sua meia-irmã Sam (Emma Watson) e começa a viver. Seu medo de piorar novamente e o fato de ter perdido seu melhor amigo Michael no ano passado, que cometera suicídio, começam a se esvair em sua mente, deixando-o mais leve, solto, e aberto a novas experiências, como ouvir as músicas boas que Sam mostra a ele, sair com meninas e experimentar drogas.


      Em flashbacks, Charlie se relembra de sua Tia Helen, que fora a pessoa que ele mais amou dentro de sua família, até certo momento, quando conhece o ‘amor.’ Charlie foca e mergulha no âmago das pessoas, tentando entendê-las, tentando fazer bem a elas, mesmo em detrimento de sua própria pessoa. É mais ou menos aí que vive o perigo em piorar novamente, que seria o fato de Charlie ter entrado em profundo desespero e tristeza em certa parte de sua vida.

      Não vou me aprofundar em nenhuma das características intrínsecas a cada personagem, embora os temas sexualidade e amor sejam os mais abordados no filme.


      Impossível de deixar de lado as atuações no filme. Logan Lerman deixa seus pretensiosos Percy Jackson e O Ladrão de Raios e The Three Musketeers (Os Três Mosqueteiros) para assumir um perfeito Charlie, cativante e aberto para que qualquer um se encaixe em seu papel. Ezra Miller, após a brilhante atuação em We Need To Talk About Kevin (Precisamos Falar Sobre o Kevin), abre mão do antigo personagem fechado para se tornar o extrovertido Patrick de maneira esplêndida, merecendo o Oscar, talvez, em minha opinião, para ambos. E por fim, mas não menos importante, Emma Watson se despede da perfeita Hermione Granger (série Harry Potter) para se tornar Sam, em nada comparada à antiga personagem, de maneira muito bem interpretada e apaixonante.

      A mensagem que captei do filme foi a seguinte: Ame, não passe os outros à sua frente, não deixe de mostrar seus sentimentos, e entenda os outros do seu ponto de vista, pois você é uma flor do papel de parede, você é invisível, ocupa uma posição inatingível de observação, então a use. Assim como use tudo, experimente tudo, seja extensível, seja infinito.

"We are infinite"


      Link para download (formatos AVI, MP4 e Blu-Ray):
      Clique aqui.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Shame

      Se eu fosse a responsável pela censura de filmes por faixa de idade, esse não seria nem pra maiores de 18, e sim, pra 30 anos. Ok, brincadeira. Shame tem cenas MUITO fortes; cenas que, em qualquer outro filme, eu consideraria desnecessárias. Mas, aqui, elas fazem toda a diferença.

SHAME (2011)



      Brandon, interpretado por Michael Fassbender, é um típico homem americano bem sucedido: executivo de empresa, bonitão, rico e com um belo apartamento. O problema de Brandon é ~basiquinho~: ele é ninfomaníaco. Isso não é falado diretamente no filme, mas os dez primeiros minutos já deixam bem claro. Se ele não está com alguma mulher, está satisfazendo sozinho suas necessidades. Até no trabalho ele faz isso.

      É claro que achei isso estranho. Mas a coisa fica pior quando a irmã de Brandon, Sissy (Carey Mulligan) aparece, com fins de ficar em sua casa por um tempo porque terminou com o namorado. Ela chama o irmão pra vê-la cantar em um restaurante. Relutando, ele vai, e leva seu chefe consigo. Este, no pouco que aparece, já pode ser visto como o típico cafajeste, afinal, mesmo sendo casado, começa a dar em cima de Sissy e consegue levá-la pra cama.


      E não é qualquer cama; é a cama do apartamento de Brandon. Também achei isso meio estranho. Só que mais esquisita ainda é a reação dele: sinceramente, fiquei em dúvida se ele sente ciúme de Sissy por ser seu irmão ou por gostar dela como mulher.

      
      Depois dessa noite, a relação entre os irmãos, que já não era muito boa, fica pior. Aparentemente Brandon não suporta a moça, menos ainda sua estadia por tempo indeterminado na sua casa. Ele sente sua privacidade sendo mitigada, mesmo porque Sissy também tem umas atitudes estranhas em relação ao irmão, que me deixaram pensando se aquilo era normal ou se beirava o absurdo.


      Confesso que fiquei meio decepcionada com o filme porque, depois de mais de uma hora e meia, eu queria - e PRECISAVA - de uma explicação. Shame fica confuso em uma série de vezes, me fazendo voltar a cena pra saber se o Brandon estava sonhando, lembrando algo que já tinha feito ou realmente fazendo a coisa. Mas, até aí, tudo bem.

      Os problemas, pra mim, foram a dúvida sobre o que os irmãos sentiam um pelo outro e a razão pela qual Brandon era viciado em sexo. É claro que dá pra perceber que ele via nas relações sexuais uma válvula de escape para seus problemas, mas QUAIS PROBLEMAS? Sua vida era aparentemente perfeita. Então, a cereja do bolo, pra mim, deve estar no seu passado, infância, família.

      Mas nada disso é explicado no filme. Essas divagações eu comecei a fazer depois de um tempo, em que consegui digerir Shame e ver nele certa beleza. A partir do nome (que, pra nossa sorte, não foi traduzido por aqui), traduzido literalmente como "vergonha", percebi a primeira contradição: não há vergonha no filme. Nada é muito censurado, nem as partes do corpo que aparecem nem as cenas eróticas que envolvem os personagens.

      Vi a vergonha também no que Brandon sente. É perceptível que o sexo, pra ele, não é algo eminentemente prazeroso, pois existe uma carga grande de culpa (ou alguma outra espécie de arrependimento) no ato. Dá pra ver que ele sente muita ressaca moral após as suas "noitadas" (que não necessariamente acontecem à noite). 


      Enfim, convido-lhes a assistirem a esse filme pra apresentarem uma visão diferente da que eu tive. Afinal, é sempre bom tentar entender as coisas através de outros pontos de vista. Espero que gostem (e nem precisa ser de primeira, porque eu mesma não gostei muito do que vi logo de cara). Até a próxima.

Resenha por: Stephanie Eschiapati