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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O Gabinete do Doutor Caligari

      Olá, olá, olá. Hoje, plena segunda, dia mais chato da semana, vou falar sobre um filme MUITO antigo, meio desconhecido e um dos meus prediletos. Já deixo claro que demorei bastante tempo pra encontrá-lo para download, mas a demora valeu a pena. Já deixo claro também que se trata de filme mudo, mas, mesmo sem NENHUM diálogo, vai te deixar preso e boquiaberto ao final. Clima de Halloween, gafanhotos!

DAS KABINETT DES DOKTOR CALIGARI (1920)



(Tradução: Aproxime-se, pessoal. Aqui, pela primeira vez, vocês podem ver Cesare, o Sonâmbulo!)
      
      Em um pequeno vilarejo alemão (Holstenwall), chega Dr. Caligari (interpretado pelo ator Werner Krauss), um misterioso hipnotizador que afirma que seu paciente, Cesare (Conrad Veidt) é sonâmbulo e está dormindo há 23 anos. Isso desperta a curiosidade dos moradores do local, que enchem seus shows. Estes apresentam uma particularidade: Cesare costuma fazer adivinhações de quando as pessoas vão morrer. E uma delas efetivamente morre, sem que se saiba quem foi o assassino.
      
(Eis Cesare, minha gente. Tentemos dormir tranquilos depois dessa foto)

      É aí que Francis (Friedrich Feher) e Alan (Hans T. Twardowski), dois amigos que foram a uma das apresentações, começam a desconfiar do médico e de seu paciente. A suspeita aumenta quando Cesare diz que Alan morrerá na mesma noite. A partir daí, começa uma investigação policial ao redor de Caligari, enquanto este ordena a Cesare que mate a noiva de Francis, Jane (Lil Dagover).

(Alan, à esquerda, e Francis, à direita)

(A noiva de Alan, Jane)

      O sonâmbulo, entretanto, fica consternado com a beleza de Jane e, em vez de matá-la, joga-a nos ombros e sai correndo. A população começa a persegui-los, de um lado, enquanto Francis e a polícia local continuam na cola de Caligari. Acho bom parar de contar por aqui, antes que eu dê spoiler. O final do filme é surpreendente, vocês não imaginam.



      Vocês devem estar se perguntando COMO fiquei sabendo da existência desse filme: matando tempo na interwebs, pra variar. Desde as aulas de Língua Portuguesa do colégio eu me interessava pelo Expressionismo, que até então, minha professora só mostrava através de quadros (um exemplo clássico da corrente expressionista é o multivalioso O Grito, de Edvard Munch).  


      É perturbador olhar e tentar entender uma pintura expressionista. É tudo muito distorcido, cheio de jogos de cores e claro-escuro. No cinema, não foi diferente. Transcrevo aqui um parágrafo que encontrei, explicando (certamente, melhor do que conseguirei explicar) um pouco do Expressionismo no cinema:

      “O expressionismo chegou ao cinema em 1919, ou seja, de forma tardia se comparada às demais artes. Praticamente surgido na República de Weimar (1919-33), quando a literatura expressionista estava em declínio, o cinema acabaria falando de temas comuns aos seus antecessores, como a morte, a angústia da grande cidade e o conflito de gerações. O aspecto mais importante a se destacar, no entanto, se refere à inovação estética. Seus atores e diretores, a maioria oriundos do teatro, passaram a utilizar técnicas já desenvolvidas no palco, como o jogo de luzes e holofotes, presentes na maioria dos filmes. Em vez de movimentos de câmera, a iluminação de um detalhe, a aparência fantástica das sombras ou a máscara nas lentes da câmera compunham os efeitos mais frequentes. Os espelhos foram outro recurso importante (usado, por exemplo, para deformar rostos).”

      O Gabinete foi o primeiro filme a buscar cenas estritamente expressionistas. Acho que a empreitada deu certo. É considerado um filme de terror; o enredo da história pode nem ser tão apavorante; eu, mesma, não tomei nenhum susto, mas o jogo de sombras, a maquiagem dos atores e a distorção das linhas que fazem parte dos cenários (como casas, celas e, até mesmo, camas) deixam sua cabeça meio perturbada e te deixam pensativo.

(Eu tenho medo do Dr. Caligari, abs.)

      Enfim, O Gabinete do Dr. Caligari foi o primeiro filme mudo sem Charlie Chaplin que vi. Muita gente (incluindo minha mãe) diz que eu superestimo muito essa película; que é boa, mas nem tanto. Respeitarei profundamente quem não curtir tanto o filme quanto eu; ainda assim, peço-lhes que assistam não com esses “olhos modernos” em relação a filmes de terror (que obrigatoriamente devem ter mortes violentas, sangue, espíritos, cenas de sexo, exorcismo), mas como quem vê um clássico que tem quase 100 anos, uma grande produção para a época e todo o trabalho que tiveram para obter, no cinema, efeitos que, até então, somente pintores tinham conseguido. Até a próxima.


Resenha por: Stephanie Eschiapati

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Luzes da Cidade

      De todos os filmes do mestre Chaplin que já assisti, com certeza este está em primeiro lugar da lista de filmes mais lindos, tocantes, especiais, enfim, lindos que ele já fez, e também entre os que existem no mundo do cinema.

CITY LIGHTS (1931)


      Já virou mania minha e acho simplesmente uma delícia assistir filmes antigos, mudos e em P&B e, principalmente, filmes do Chaplin, que com certeza são os melhores que existem quando reunidos os três itens acima.


      City Lights conta a história de um vagabundo, mendigo, morador de rua, pobretão – qualquer um desses adjetivos cabe ao personagem vivido por Chaplin -, que se apaixona por uma florista cega, também pobre. Ela é uma florista simples, que vende suas flores dentro de uma cesta pelas ruas da cidade. Por uma coincidência do destino, quando o vagabundo e a florista se encontram, dá-se a entender (pela “visão” dela) que ele é um milionário e, para não desapontá-la (pois foi love at first sight), ele acaba levando a mentira adiante. 


      Andando pelas ruas, acontece outro incidente com o vagabundo: passando próximo a uma represa, ele encontra um homem bêbado prestes a se matar, impedindo-o de realizar tal ato. O bêbado fica tão grato, mas tão grato com a ação do vagabundo por ter salvo sua vida que, instantaneamente, o rotula como seu melhor amigo, levando-o à sua mansão e oferecendo-lhe as melhores bebidas. Mas nesses tipos de situação sempre há um “porém”: depois que o milionário bêbado acorda, já no dia seguinte e sem a influência do álcool na cabeça, ele esquece completamente que fez um melhor amigo na noite anterior, passando o vagabundo a ser um desconhecido para ele.


      Assim, o filme se passa sempre com as tentativas do vagabundo em conquistar a florista cega e ajudá-la em tudo o que precisar. Ele acaba descobrindo que a florista e sua avó precisam pagar o aluguel dentro de um dia, senão serão despejadas. Só que elas não possuem esse dinheiro. A florista fica realmente muito triste, pois ela dedica sua vida apenas à sua avó.

      O vagabundo, cheio de amor e compaixão pela situação, resolve fazer de tudo para conseguir o dinheiro para que o aluguel fosse pago. Arruma um emprego de varredor de ruas, mas é demitido sem dinheiro suficiente para ajudar sua amada. Em outra tentativa, decide lutar box para receber o prêmio em dinheiro caso fosse o vencedor. Ainda, numa última tentativa, pede dinheiro ao amigo milionário enquanto ele estava bêbado, recebendo de maneira fácil e alegre mil dólares. Só que a partir disso a coisa se complica, pois o milionário fica sóbrio e julga que o vagabundo roubou seu dinheiro: é uma total confusão, recheada de partes engraçadas, e o vagabundo sempre tentando chegar até sua amada florista para lhe dar o dinheiro do aluguel.

(Tradução: Determinado a ajudar a garota, ele encontrou um trabalho)

      Além disso, pensando mais à frente, o vagabundo encontra no jornal um artigo sobre cirurgia de olhos, e seu maior desejo é que sua florista volte a enxergar; ela, já apaixonada por ele (mas não por acreditar que ele fosse rico, e sim porque ele sempre foi bom com ela), mostra grande felicidade, pois, se voltasse a ver, poderia enxergar aquele homem que sempre se importou com ela. E o final desse filme é algo maravilhoso, que sempre encheu meu coração de esperança e alegria. Então, fica por conta de vocês assistirem essa obra-prima pra entenderem sobre a grandeza de que estou falando. Au revoir.


Resenha por: Rebeca Reale