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domingo, 10 de março de 2013

O Bebê de Rosemary

      Antes de começar, já digo: eu podia passar a semana falando desse filme. 

ROSEMARY'S BABY (1968)



      Rosemary e Guy Woodhouse (Mia Farrow e John Cassavetes) formam um jovem casal em busca de um lugar pra morar. Visitam apartamentos e se decidem por um em Manhattan, o The Bramford. Desde logo são avisados que vários casos macabros já aconteceram naquele local, incluindo rituais satânicos. Mas, obviamente, eles não se importam, porque o que mais desejam no momento é ter um filho.



      Vale dizer que Guy trabalha como ator, mas, parafraseando o pessoal do Chaves, não é "aquilo que se diga 'meu deus, que ator'". Sua carreira tem altos e baixos, e digamos que está em baixa quando ele se muda com a esposa pro Bramford.

      Assim que se instalam no novo lar, Rosemary, indo à lavanderia, começa uma amizade com Terry Gionoffrio (Victoria Vetri), uma bonita moça que mora com o casal Castevet depois de ter sido adotada por eles. Ela usa um pingente com um cheiro estranho, presente da Sra. Castevet – parece desnecessário falar dele, mas ele tem uma importância considerável no filme.


      Pouco tempo depois, entretanto, voltando do teatro, Rosemary e Guy se deparam com um aglomerado de gente em frente ao prédio onde moram. Quando chegam mais perto, percebem que se trata de um suicídio, e da moça com quem Rose havia conversado. Os Castevet chegam ao local pouco tempo depois, e atestam que a moça morta era a mesma que vivia com eles, Terry.


      Esse é o primeiro contato do jovem casal com os Castevet – e quem dera ele não tivesse acontecido. Minnie e Roman Castevet (Ruth Gordon e Sidney Blackmer) são aqueles vizinhos chatos e intrometidos que todo mundo tem, e evita fazer contato visual pra eles não virem puxar papo. No dia seguinte à morte da garota, Minnie convida o jovem casal pra jantar, e os quatro ficam bem amigos.


      De repente – e é de repente mesmo – a carreira de Guy começa a dar certo, mas de um jeito meio mórbido: o ator que ganhou um papel ao qual ele concorreu ficou cego. Rosemary já parece bem enjoada de Minnie, que invade literalmente a casa dela o tempo todo. A velha dá a ela o mesmo pingente usado por Terry, e insiste pra que ela use pra dar sorte e tudo mais.

      Pouco tempo depois, Rose fica grávida. Nessa noite ela tem estranhas alucinações, que dão medo mesmo. O casal Castevet fica imensamente feliz por ela, e lhe indicam ‘um dos melhores obstetras do país’, Dr. Abraham Sapirstein (Ralph Bellamy). É perceptível que Rose já não aguenta mais aqueles dois, ainda que Guy faça questão de tê-los por perto o tempo todo.


      A gravidez de Rose é o ponto alto do filme, e dela decorre todo o resto da história. Por isso mesmo já paro de contar as coisas por aqui, devido ao alto risco de spoiler. Só deixo registrado que a gravidez dela é manifestamente incomum: ela emagrece, definha, cria olheiras imensas, que parecem ainda maiores depois que ela corta o cabelo.


      Dá pena ver o estado da Rose, viu. E dá vontade de bater palmas pra Mia Farrow, que nos faz sentir na pele cada uma de suas várias dores, bem como seu medo de perder o bebê e a antipatia que vai criando pelo intrometido casal Castevet

      É realmente irritante a forma invasiva com que Minnie e Roman se comportam. É como se a vida de Rose e Guy pertencesse a eles, por isso necessitam de vigilância constante. É uma sensação quase claustrofóbica – e talvez essa tenha sido a intenção de Roman Polanski. Afinal, a certa altura do filme Rose se vê vítima de uma conspiração – quando ela começa a ligar os pontos e pensar que o sucesso de Guy é decorrente de um pacto com o demônio, e que o casal xereta também faz parte disso.

      John Cassavetes também dá um show. Afinal, de marido perfeito e brincalhão passa a homem seco, grosso, e a tratar Rose como louca, e ficar cada vez mais longe dela e de casa pra ficar com os vizinhos. Ah, a sensação de aperto fica ainda mais evidente pelo fato de grande parte do filme se passar nos apartamentos – seja de Rose, seja dos Castevet

      Rosemary’s Baby, pra mim, é um dos melhores filmes de terror já criados. Polanski brinca com a mente do espectador todo o tempo, porque parece nos conectar à sua pobre protagonista. A pergunta que fica – e só é respondida no final do filme – é: estão mesmo conspirando contra Rose ou ela está maluca?

      Pra saber a resposta, só assistindo mesmo. E, apesar da duração considerável do filme (2 horas e 16 minutos não são pra qualquer um), a paciência vale a pena. Enfim, é uma obra de arte. Assistam, revejam, comentem e até a próxima =)

      Curiosidades (e esse filme tem um bocado delas):

- A esposa de Roman Polanski foi assassinada um ano após a estreia do filme por Charles Manson (aquele assassino famoso em que Marilyn Manson inspirou seu nome);

- John Lennon, assassinado em 1980, morou um tempo no edifício onde o filme foi rodado, em Manhattan;

- Mia Farrow ganhou um Globo de Ouro por sua atuação em Rosemary’s Baby;

- Ruth Gordon ganhou um Oscar como melhor atriz coadjuvante por seu papel neste filme;

- Rosemary’s Baby teve uma continuação em 1976, intitulada “Look what’s Happened with Rosemary’s Baby”. Eu nunca vi, mas as críticas são péssimas (veja aqui, no Filmow). Então, rola entre os cinéfilos que um filme que pode ser uma continuação plausível pra ele é The Omen (“A Profecia”), também de 1976.


Resenha por: Stephanie Eschiapati

      Link para download (formatos RMVB legendado e HD): 
      Clique aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Profecia (1976)

      Foi uma novidade assistir A Profecia de 1976, visto que eu só tinha assistido ao de 2006. Se eu não me engano, assisti o mais recente exatamente no dia 06/06/06, quando lançou no cinema. E, por incrível que pareça, prefiro a versão mais nova em face da antiga. Isso quase nunca acontece, mas... dessa vez o filme novo, ao meu ver, conseguiu superar a grandeza do antigo. Dou 4,5 estrelas para A Profecia de 2006, e 4 estrelas para esse; a diferença não é muita, mas posso afirmar com veemência que o de 1976 também é um grande filme.

THE OMEN (1976)


(Tradução: Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta: pois é o número de um homem; e seu número é 666 - Livro do Apocalipse)

      Pelo nome, já percebemos que se trata de alguma coisa do mal, mas, de forma contrária, é com outra aura que o filme começa: com o bem triunfando, de certa forma. A história começa com um casal, Robert (Gregory Peck) e Kathy (Lee Remick), que estão prestes a ter um filho; já no hospital, na hora do parto, vem a triste notícia - os médicos informam a Robert que o bebê nasceu, mas respirou apenas por alguns segundos (ou seja, morreu). Nesse mesmo contexto, aparece um padre, apresentando a Robert um outro bebê, implorando para que ficasse com ele. O padre informa que, na mesma hora da morte do filho de Robert, a mãe do outro bebê também morreu, e ainda afirma que isso é obra de Deus entregando um novo filho a ele. Consternado, Robert decide acatar o pedido do padre e ficar com o bebê, sem informar, porém, sua mulher de que se tratava de outra criança.


(Robert)

      O tempo passou, a criança cresceu, e eles sempre foram felizes. Nunca houve algum problema em relação ao garoto. Aliás, seu nome é Damien (Damien, Demon, Demônio... é por aí que começamos a ver a relação do menino com o mal). Tudo ocorreu normalmente bem até o aniversário de 5 anos de Damien. É a partir daí que começam a ocorrer fatos sombrios, mas ninguém pensa e nem imagina em relacionar esses fatos ao garoto. Antes da festa de aniversário, o filme ainda mostra algumas fotos da família, com o intuito de demonstrar que, acredito eu, até o diabo consegue se revestir de uma bondade extraordinária com a intenção de disfarçar seu único objetivo de trazer o mal. Um pai lindo, uma mãe linda e um filho lindo: quem um dia imaginaria que a típica família perfeita traria problemas para todos que se relacionassem com eles? 





     Após o aniversário, uma nova babá é contratada pela família: Senhora Baylock, que considero mais assustadora do que qualquer outro ser do filme. Ela é uma apóstata de Satanás e, agora em contato com a criança, decide protegê-la de tudo e todos que venham a fazer alguma tentativa de destruir a semente do mal.



      Pelo o que eu entendi, Damien nunca tinha entrado numa igreja durante toda sua vida. Certo dia, já com 5 anos, os pais decidem que Damien deve acompanhá-los num casamento, e a reação que o garoto esboça, antes mesmo de entrar na igreja, é algo assustador. Vale conferir sua expressão já ao avistar a igreja de longe:


      Há um padre que tenta, de qualquer forma, avisar Robert de que seu filho, na verdade, é filho do diabo. Mas Robert, como qualquer pai, não acredita em uma blasfêmia como essa, ainda dita por uma pessoa que não conhece. Surge, então, outra pessoa apta a demonstrar que há algo de errado com a família de Robert: o fotógrafo da festa de 5 anos de Damien. Nessa oportunidade, ele tirou uma foto da antiga babá do garoto, e percebeu um certo detalhe na foto que, ao seu ver, poderia ser apenas defeito do rolo do filme - é um feixe de luz, um risco, paralelo à cabeça ou ao corpo da pessoa, como se fosse um raio a atingindo. Mas esses defeitos começam a aparecer em outras fotos: do padre que falou com Robert e também na própria foto do rosto do fotógrafo, interpretado por David Warner. Esses "defeitos" são uma premonição das pessoas que vão morrer - assim, Robert parte em busca de respostas sobre a possível origem de seu filho adotivo, com a intenção de salvar sua mulher e proteger seus conhecidos de uma possível morte.

(O Padre)

      Abaixo está uma das fotos tiradas pelo fotógrafo; basta prestar atenção no risco de luz que corta o retrato em direção ao corpo/cabeça da pessoa:


      Acho que, sobre o filme, já dei informações suficientes. Acredito que qualquer outra coisa que eu contar vai acabar sendo spoiler, e eu não quero estragar o prazer de ninguém que deseja ver esse filme. Todos as imagens que coloquei aqui são prints do filme; sim, dá pra ver que a qualidade não está muito boa, mas juro que dá pra assistir perfeitamente bem e, com o filme rodando, a qualidade fica bem melhor (digamos, nota entre 7 e 8).

      Ainda, antes de encerrar, preciso explicar o motivo de eu achar o filme de 2006 melhor que esse. Pra começar, o filme de 2006 não é melhor em TODOS os aspectos, mas achei que, nos momentos mais relevantes e no quesito "emoção" e "suspense", o filme mais atual conseguiu atingir uma qualidade melhor. E digo isso também em relação ao garoto Damien: o ator que o interpreta no filme mais novo com certeza é muito mais diabólico que o garoto do filme que estamos discutindo aqui; não sei como, mas conseguiram colocar muito mais maldade em seu olhar do que no olhar do Damien de 1976. Os momentos de clímax também alcançam um maior suspense, e até os acidentes foram mais elaborados.

(Damien interpretado por Harvey Stephens - 1976)

(Damien interpretado por Seamus Davey-Fitzpatrick  - 2006)

      Uma coisa que eu achei muito interessante, e que com certeza quem gosta de Harry Potter também vai acabar percebendo, é a semelhança entre os dois atores que interpretam o fotógrafo. Conseguiram pegar alguém muito parecido com o David Warner - e que, por sinal, também se chama David: David Thewlis (e que, por sinal, novamente, fez um dos filmes favoritos de toda a minha vida: Dragonheart).


      Sim, eu sou do contra: praticamente TODO MUNDO prefere um milhão de vezes A Profecia de 1976, e qualifica o de 2006 como - lixo, fraquíssimo, péssimo, descartável em relação do filme antigo -. Eu não achei. Enfim, cada um com sua opinião, mas eu ainda prefiro e sempre vou preferir o filme atual. Então, fica por conta de vocês assistirem aos dois filmes para decidir qual é o melhor. Au revoir!


      "Quando os judeus voltarem à Sião...
E um cometa preencher o céu...
E o Sacro Império Romano se levantar...
Então tu e eu temos de morrer.
Do Mar Eterno ele se levanta...
Criando exércitos em cada margem...
Virando cada um contra seu irmão...
Até que o Homem deixe de existir"

      Link para download (formato RMVB legendado):
      Clique aqui.

Resenha por: Rebeca Reale

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A Centopeia Humana

      O FILME QUE HABITO ADVERTE: NÃO COMA, NÃO BEBA, NÃO PENSE EM COMER E NÃO PENSE EM BEBER ABSOLUTAMENTE NADA ANTES DE VER ESSE FILME.

THE HUMAN CENTIPEDE: FIRST SEQUENCE (2009)



      Tudo começa com uma estrada bonita e um caminhão. O motorista para na pista para “ir ao banheiro” e é acertado com um dardo tranquilizante. Aparece, pela primeira vez, o Dr. Josef Heiter (Dieter Laser), um renomado cirurgião de gêmeos siameses, que tem, no mínimo, uma cara MUITO estranha (é cara de psicopata maluco mesmo, eu é que quis ser simpática).


      O filme passa, então, a contar a história de Lindsay e Jenny (Ashley C. Williams e Ashlynn Yennie, respectivamente), duas garotas americanas em viagem à Europa, e de passagem pela Alemanha. Elas saem à noite pra ir a uma festa e – mais clichê, impossível – o carro quebra, no meio do nada, e o celular não dá rede. Não aparece ninguém pra ajudar, claro, e começa a chover. E elas saem andando com o fim de encontrar uma casa com telefone, e onde vão parar? Na casa do Dr. Heiter, óbvio.

(Lindsay, à esquerda, e Jenny, à direita, assim que chegam à casa do Dr. Heiter)

      Ele as deixa entrar em casa, mas não usar o telefone. Ele diz que vai ligar para o guincho, mas não liga. E, de quebra, ainda coloca um sedativo na bebida das meninas. É aí que o terror começa. Elas acordam no porão da casa do doutor, amarradas a uma maca ao lado daquele motorista de caminhão do começo do filme. Que, a propósito, é ~eliminado~ por não atender às especificações que o doutor procurava. No lugar dele, aparece um turista japonês, Katsuro (Akihiro Kitamura), que não fala inglês.

      
      O que pretende o Dr. Heiter? Pelo nome do filme acho que já dá pra adivinhar: ele quer unir os três corpos em um só, fazendo uma centopeia humana, literalmente. O mecanismo é o mais nojento possível, por isso não vou nem falar, e sim, mostrar-lhes uma imagem:

      O que segue é um sem fim de cenas absurdamente nojentas e de terror psicológico. The Human Centipede não é um filme de terror propriamente dito, e sim, um tipo de thriller (na linha de Jogos Mortais, por exemplo), cheio das nojeiras. É aquele tipo de filme a que não dá pra assistir comendo pipoca e tomando milk-shake. E não é exagero.

      Somado a isso, a aflição daqueles três pobres coitados é de matar. O fato de o asiático não falar a língua das meninas deixa a coisa ainda mais desesperadora, porque os três não conseguem se comunicar. O lado bom é que eles criam uma sincronia de pensamentos e ações muito boa (não, o lado não é bom, é só ~menos pior~). Sim, o maluco consegue conectar as duas jovens e o asiático. E é sofrível de se ver, juro. E o filme vai correndo por aí, entre as cirurgias, a aflição dos coitados e tudo mais.

      O que me deixa mais chocada, além do filme como um todo, claro, é a cabeça de Tom Six, o diretor desse filme. Não sei de onde ele tirou essa ideia, e, se não foi dele mesmo, não sei que tipo de mente perturbada pensaria numa coisa dessas. E o segundo, que, pelo que andei pesquisando, é pior que este. E vem aí, pra 2013, um TERCEIRO FILME. Enfim, é esperar pra ver, e vocês vão querer ver, apesar dos pesares. A propósito, desafio vocês, tanto nos comentários daqui quanto no face ou twitter, a apostarem se alguém sobrevive no final (claro que quem já assistiu não pode, haha). Até a próxima e NÃO SE ALIMENTEM ANTES DO FILME, abs.



Resenha por: Stephanie Eschiapati

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Suspiria

      FELIZ DIA DE HALLOWEEN! É até estranho falar sobre essa comemoração aqui no Brasil, que não tem a menor tradição nessas festas. Mas, mesmo assim, O Filme que Habito resolveu fazer a sua parte e hoje, especialmente, tem double post sobre filmes de terror. HAVE FUN (a propósito, o post lindo da Rebeca já tá aqui, leiam também).

SUSPIRIA (1977)



      Já deixo claro aqui que, se você quer um filme super motherfucker cheio de efeitos especiais, iminentes ataques cardíacos e esse mimimi moderno, mudem de post, por favor. Entre tantos filmes de terror que vi e quase morri do coração, resolvi escolher logo esse, antiguinho e que não me despertou tanto pavor, pra me representar neste Halloween. Feito o aviso, vamos à história.

      Que, convenhamos, já começa estranha: Suzy Bannion, americana – atentem-se a esse detalhe no filme – interpretada por Jessica Harper, chega à renomada escola de balé Tanz Akademie em Friburgo, na Alemanha, pra aprimorar seu desempenho na dança. Assim que chega – em meio a uma assustadora tempestade – vê uma das alunas sair da escola correndo, apavorada. 


      Suzy ouve algumas palavras ditas pela moça, mas não lhes dá atenção. Em seguida, toca a campainha pra tentar entrar na escola, mas, apesar de ser atendida, não lhe permitem a entrada. Logo depois, a cena é cortada pra casa dessa moça que saiu correndo da escola: e é essa casa que já me surpreendeu de pronto, dadas as cores e formas com que foi construída. Então, a menina e sua mãe morrem de forma brutal, sem que se saiba quem foi o assassino.

      No dia seguinte, Suzy, enfim, consegue entrar na Academia. Aparentemente é um lugar muito bom e cheio de disciplina, pois é comandado pelas mãos de ferro da Madame Blanc (Joan Bennett) e da Miss Tanner (Alida Valli – que, a propósito, tive de pesquisar no Google pra ver se era homem ou mulher). Entretanto, à escola não faltam coisas, digamos, bizarras, como um pianista cego e um criado romeno – e MUITO, MUITO mal encarado – que não entende nenhum outro idioma.

(Madame Blanc)

(Miss Tanner - sim, eu achei que ela fosse homem)

(Daniel, o pianista cego)

(Pavlos, o ~lindo~ "faz-tudo" da Academia. Só que não. Pra parte do lindo, porque faz-tudo ele é mesmo)

      Não demora muito tempo pra que Suzy perceba que não está em um lugar normal. Isso, somado aos boatos que uma colega começa a lhe contar, fazem com que a americana inicie uma empreitada atrás de qualquer indício de que Madame Blanc e Miss Tanner são nada mais, nada menos, que BRUXAS. O final, e o que acontece a Suzy nessa empreitada, só vendo mesmo.

      Fiquei realmente fascinada ao assistir a Suspiria. O jogo de cores, claro-escuro, formas e, em especial, a trilha sonora me deixaram boquiaberta. A ênfase que a maioria dos críticos dá (e comigo, não seria diferente) é ao vermelho. Desde o principal pôster do filme, até grande parte das cenas, passando, obviamente pelo sangue, lá está o vermelho, imponente, ameaçador. Enquanto para uns se trata da cor do amor, aqui é a cor do desespero, da agonia, porque, quanto mais cor você vê, parece que mais angustiado fica.


(Observem as formas perfeitas e a cor da casa daquela mocinha que fugiu da Academia)



      E não para por aí. Falei ali em cima sobre a trilha sonora, certo? Pois bem: preparem-se pra ficar com a musiquinha de Suspiria na cabeça por um tempo. Pelo que andei pesquisando, é uma música de uma banda italiana de rock progressivo chamada Goblin, que, depois desse filme, ganhou certa notoriedade e fez trilhas para outras películas. Considero a música um elemento diferencial em Suspiria: é mais um fator que aumenta a tensão. Sabe quando uma pessoa tá contando uma história de terror quase sussurrando e, de repente, solta um grito? A música faz a MESMA coisa; aumenta de tom do nada, o que te prende ao filme de novo (caso você tenha saído voando por aí). Enfim, pelo que também andei pesquisando pela minha grande amiga interwebsSuspiria ganhará uma refilmagem entre 2013 e 2014, e a atriz escolhida para o papel de Suzy Bannion foi Isabelle Fuhrman, minha conhecida desde o grande filme A Órfã (ela fazia a ~menininha~ principal). Bem, não sou lá muito fã de refilmagens (a do Psycho já me decepcionou bastante) mas é esperar pra ver. E, então, gostosuras ou travessuras? Até.


Resenha por: Stephanie Eschiapati

O Amigo Oculto

      Hide and Seek não é exatamente um filme de terror, e também não é tão adequado para um dia de Halloween, mas é um suspense e um mistério que chegam a dar medo. Portanto, pra esse dia 31/10, mais conhecido como Dia das Bruxas ou Halloween, é um ótimo filme para se assistir sozinho, de noite, com todas as luzes apagadas. Interpretado brilhantemente por Robert De Niro e, assumo, também pela Dakota Fanning, o filme te prende até o final, não permitindo que você desvie sua atenção nem por um segundo, tendo um desfecho impressionante e diferente da maioria dos filmes. O filme é de 2005 – sinto falta, atualmente, de produções tão boas quanto essa. Sei que muita gente que assistiu não gostou, mas ainda considero um dos melhores suspenses que já vi.

HIDE AND SEEK (2005)



      Não vou dar um resumo exato das coisas de que trata o filme, e sim uma visão geral sobre os aspectos psicológicos e principais situações que ocorrem. Vamos tomar por base uma brincadeira que todas as crianças brincam na infância: esconde-esconde. Normalmente, a brincadeira se dá entre pessoas reais, de carne e osso. Porém, a pequena Emily (Dakota Fanning) não possui amigos reais que participam dessa brincadeira, mas apenas um amigo imaginário, e é sobre esse amigo que recai todo o mistério e suspense do filme. O que era pra ser uma brincadeira inocente, infantil, e todas as outras característica pertinentes à infância, esse jogo passa a ser algo sanguinário, tenebroso, enfim, maléfico.

      Tal amigo imaginário chama-se Charlie, que possui um poder, digamos assim, “sobrenatural” sobre todos os fatos terríveis que acontecem durante o filme. Emily diz ao seu pai (Robert De Niro) que Charlie a obriga fazer coisas e que, se ela contar quem ele realmente é, coisas ruins continuarão acontecendo. É aí que entra o suspense: quem é Charlie? Como que David (Robert De Niro), pai de Emily, não consegue vê-lo, e nem qualquer outra pessoa que convive próximo a sua família? Como esse ser imaginário possui um poder tão grande de fazer coisas terríveis, como a morte, por exemplo, acontecerem? David não consegue explicar, e passa a buscar uma resposta desesperadamente com o intuito de “salvar” sua filha das coisas ruins que acontecem dentro e fora de sua casa.


      Há várias possibilidades de quem possa ser Charlie. Tudo começa com a morte da mãe de Emily – devido a esse fato, David decide mudar de cidade, com o propósito de afastar sua filha das lembranças da morte da mãe. A partir disso, poderíamos concluir que Charlie é mais uma tentativa da mente de Emily em procurar abrigo por ter perdido alguém muito próximo, que amava muito. Nada se compara em perder uma mãe. Mas como isso poderia explicar um amigo imaginário que faz coisas horríveis acontecerem? Não existe, ao meu ver, uma explicação lógica (talvez, nos estudos mais profundos da psicologia, exista uma resposta coerente a isso, mas eu, como leiga no assunto, não consigo enxergar).

      A segunda possibilidade, como também acredita David, é que Charlie seja uma pessoa real – pois só assim para se explicar os casos concretos, envolvendo mortes e sangue, que estão acontecendo. Ele chega até duvidar que Charlie seja o vizinho (de acordo com minha memória - aliás, não estou descartando a possibilidade de que seja ele). O único problema é que em toda e qualquer situação, a única pessoa que consegue enxergá-lo é Emily – além, também, das pessoas que morreram (que já não são mais úteis, pois estão mortas).

(Tradução: Agora você consegue ver?)

(Tradução: Você deixou-a morrer)

      E há, também, a terceira possibilidade, que traz o clímax de todo o filme. Tem gente que, desde o começo ou desde a metade do filme, já descobre de quem se trata. Mas não vou excluir as duas possibilidade acima, pois ambas podem estar misturada com esta terceira (ou não – estou apenas acirrando a curiosidade de vocês). Não é exatamente o final em si que traz a surpresa, mas sim a descoberta de quem é Charlie. Ele pode ser um fantasma ou um demônio que se apodera do corpo de alguém; pode ser apenas um amigo imaginário que obriga a própria Emily agir por suas mãos (e, pra quem não sabe, isso caracteriza o crime de autoria mediata – essa sou eu aplicando meus conhecimentos de Direito ao filme, abs.); pode ser um psicopata; pode, ainda, ser um psicopata que finge ser um amigo imaginário – enfim, são inúmeras possibilidades que prendem sua atenção até o final. O desenvolver do filme é algo tão envolvente que não dá pra parar de assistir pela metade sem a curiosidade de saber como termina.


      Já vou avisando: como eu disse, o que é realmente interessante é a descoberta sobre a identidade de Charlie, e não o final do filme em si. Então fica aqui um alerta, pra quem espera que o filme feche com chave de ouro e depois fica por aí reclamando com a barriga cheia. Acredito que o filme seja bem visto sob os olhos de um cinéfilo, mas não de um crítico. Ainda sobre essa questão, o filme recebeu muitas críticas, por ter um desenvolver ótimo e essa quebra do suspense nos atos finais do filme. Para eles (os que criticam), o problema é essa grande revelação final que, de acordo com seus entendimentos, só são feitos para que o filme seja vendido.


      Esses tipos de filmes, com grandes revelações no final, começaram a ser desenvolvidos de forma conhecida a partir de O Sexto Sentido. Mas, na verdade, essa quebra do desenrolar com a surpresa no final remonta desde filmes mais antigos, como o O Gabinete do Doutor Caligari, filme expressionista alemão de 1920, e também com o mestre Hitchcock, que sempre fez a maioria de seus filmes baseados nesse tipo de suspense. A história de O Amigo Oculto é ótima, sim. Quem gosta de filmes do gênero, posso apostar que vai gostar – pelo menos todas as pessoas que conheço, e que eu já troquei ideia, gostaram. Aproveitem o Halloween com esse filme que, mesmo não sendo de terror, possui algumas partes macabras e outras que te deixam com o coração na mão de tanto suspense e curiosidade. Hasta!

Resenha por: Rebeca Reale