Mostrando postagens com marcador suspense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador suspense. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

De olhos bem fechados

      “Festa estranha, com gente esquisita, eu não tô legal, não aguento mais birita (...)”

EYES WIDE SHUT (1999)



      Eyes Wide Shut conta a história de um casal aparentemente perfeito para os moldes americanos: Dr. Bill Halford (Tom Cruise) é um médico renomado de Nova York, e Alice (Nicole Kidman) é uma curadora de arte, no momento desempregada para cuidar da filha Helena (Madison Eginton). Eles parecem se amar muito, pelo menos.

      Essa é a questão: eles aparentam se amar, mas, na minha opinião, é tudo uma grande farsa. Existe amor, mas este fica embolado em vários outros sentimentos, principalmente no amor próprio de cada um deles. Isso fica perceptível logo no começo do filme, em que eles vão a uma festa de Natal feita por um rico paciente de Bill: nessa festa, eles ficam separados praticamente todo o tempo, e, enquanto Alice dança de modo convidativo com um homem, Bill fica rodando pelo salão de braços dados com duas moças bem bonitas.
   


      Depois dessa festa, o casal volta para o apartamento e, durante uma conversa no quarto, Alice confessa que, em uma das viagens do casal, ela se sentiu fortemente atraída por um marinheiro, a ponto de abandonar a família caso ele a quisesse. Essa confissão bagunçou MUITO a cabeça de Bill, e, ao mesmo tempo, um de seus pacientes morreu.





      Ele teve de sair, e, na casa desse paciente, ele “recebe” uma declaração de amor da filha do falecido. Já abalado, em vez de ir pra casa ele sai andando pela cidade, entra em um bar e se depara com um ex-colega de faculdade, Nick Nightingale (Todd Field) tocando piano. Terminado o show, os dois bebem um drink e o pianista recebe uma ligação para tocar em um local super secreto e cheio de ressalvas e exclusivo para convidados. Bill insiste e consegue a senha do local, e ruma pra lá.


      Primeiro, ele vai a uma loja de fantasias para alugar uma capa e uma máscara, necessários para entrar na referida festa. Até o dono da loja é um sujeito estranho. Ele consegue, pega um táxi e vai pro local indicado pelo colega, diz a senha e entra. Coisa que ele não deveria ter feito. O local da festa tratava-se de uma mansão, ampla, espaçosa e luxuosa. Nele, todos usavam capas pretas e máscaras (o que, pra mim, foi extremamente perturbador), e havia muitas mulheres seminuas dançando e realizando algum tipo de ritual. Era um grande prostíbulo, na verdade.



      Bill ficou perplexo com tudo aquilo e, enquanto ia andando pela mansão, uma das moças o avisou de que não era seguro ficar ali, e que ele estava correndo perigo. Claro que ele não a ouviu, até que descobriram que ele era um intruso e revelaram sua identidade para todos. Ele foi embora, desolado, mas tinha a intenção de esquecer o que houve.



      A partir daí é que as coisas ficam estranhas, porque ele fica com a impressão de que aquela “seita” tinha assassinado seu colega, Nick, bem como a moça que o avisou sobre o perigo que ele corria. O filme, então, passa a mostrar a desesperada investigação de Bill, bem como a distância que ele vai tomando da esposa e da filha. E ele descobre coisa que pode deixar vocês – assim como me deixou – boquiabertos.

      Eyes Wide Shut mostra o jogo de aparências em que se baseiam as relações, desde as mais simples até as mais complexas, como o casamento. Tanto Bill quanto Alice pensam mais em si mesmos que em sua família, e disfarçam isso o máximo que podem. Cada um deles têm seu orgulho, seus desejos contidos e suas frustrações, mas escondem isso sob a casca de um casamento aparentemente feliz.

      Podem me chamar de viajada, mas, assim que terminei de assistir ao filme, a primeira coisa em que pensei foi no livro Dom Casmurro, do meu querido Machado de Assis. Claro que há ressalvas, mas consegui fazer certa comparação entre o Bentinho e o Bill: ambos ficaram transtornados por algo que nem chegou a acontecer (ANTES QUE DIGAM QUALQUER COISA, eu não acredito na traição da Capitu, e não vou entrar nesse mérito), transtorno causado por um misto de insegurança e orgulho ferido. Uma simples suspeita, no caso do Bentinho, e uma confissão, no caso de Bill, tiveram um efeito devastador em ambos.

      Eyes Wide Shut mostra as relações humanas sem censura: desde o sexo sem sentimento, quase que animalesco, em que não é preciso nem se identificar, até o casamento feliz que não passa de aparência. Enfim, é legal pra se pra se pensar, e é do Kubrick também, então a história não teria como ficar maçante ou algo assim. Até mais.

      CURIOSIDADES (que já viraram marca registrada desse blog lindo):

- Eyes Wide Shut foi o último filme de Kubrick, que morreu cinco dias depois de entregar à Warner o corte final do filme;

- Cruise e Kidman eram casados na vida real quando realizaram as filmagens;

- Reza uma lenda – que tem ares de teoria da conspiração –  de que Kubrick teria sido assassinado por explorar, nas cenas da mansão, a essência dos rituais sexuais secretos da elite global, como o Bohemian Club;

- O filme foi baseado no livro Traumnovelle, de Arthur Schnitzler (1926);

- A senha fidelio, usada por Bill pra entrar na mansão, vem do latim “fidelis”, que significa fidelidade.


      Link para download (formatos AVI e MP4):
      Clique aqui.

Resenha por: Stephanie Eschiapati

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Homem de Palha

      Pensem num filme que eu demorei pra digerir. Mas, depois de um tempo, gostei. =)

THE WICKER MAN (1973)



      O sargento Neil Howie, interpretado por Edward Woodward, é um policial cristão fervoroso e conservador. Seu amor pela Igreja e ensinamentos cristãos chegam a ser alvo de sarro por parte dos companheiros de polícia. O sargento, então, é reportado para investigar o desaparecimento de Rowan Morrison (Geraldine Cowper), na estranha ilha escocesa de Summerisle.



      Estranha para Howie, claro, pois é uma ilha pagã. E que cultua e festeja seu paganismo sem se importar com a presença do sargento. Pra vocês terem uma noção, eles adoram um pênis, pois representa a fertilidade. Além disso, há deuses para o sol, para a terra etc. A questão é que, assim que o policial põe os pés na ilha, ele já sente alguma coisa “muito errada” pois, ao perguntar por Rowan, e, inclusive, mostrar a foto, todos os moradores se fingem de desentendidos. 



      Até a professora da ilha, Miss Rose (Diane Cilento), age como se a garota não tivesse existido. Só depois de muita pressão ela fala que Rowan morreu. E nem diz assim, claramente, porque explica que em Summerisle não se usa a palavra morte. Enfim, Howie pretende exumar o corpo da menina para dar o caso por encerrado, mas, para isso, precisa da autorização do dono da ilha, o Lord Summerisle – interpretado por Christopher Lee.


      O Lord completa a estranheza do lugar, digamos. Ele tem uma personalidade tranquila, serena, que constrasta com a agressividade de Howie (que, cá pra nós, é só um modo de se defender de tanta coisa estranha pra ele). Ele não se nega a deixar o policial abrir o túmulo de Rowan e, inclusive, na visita que Howie lhe faz, ele conta um pouco da história da ilha e fala mais sobre seus costumes.


      A questão é que – E ESSA É A ÚLTIMA COISA DO FILME QUE EU POSSO FALAR SEM DAR SPOILER – a exumação do corpo não ajuda em nada nas investigações. O corpo da jovem não tá na tumba; no lugar, há um coelho. Essa é gota d’água para que Howie fique ainda mais desconfiado do povo daquela ilha, e comece uma verdadeira caçada à Rowan Morrison.


      Vale lembrar que Howie fica hospedado na Green Man Inn (Taverna Homem Verde), cujo dono, Alder MacGreagor (Lindsay Kemp) tem uma filha belíssima, Willow (Britt Ekland). Inicialmente de forma discreta, e depois, de modo mais latente, perturba o sargento, que se vê dividido por suas crenças cristãs e a beleza daquela moça.



      The Wicker Man é um filme que, pelo menos na minha opinião, não pode ser definido por uma só palavra. É perturbador, erótico, estranho. PRINCIPALMENTE ESTRANHO. Mas não o é de um modo pejorativo, não; é como se fosse uma coisa muito nova sendo mostrada. Apesar de o filme ser de 1973, e tantos outros filmes de temática parecida terem estreado, pra mim foi tudo muito novo, e “assustador”. 

      Pelo que andei pesquisando na interwebs, em 2006 fizeram um remake de The Wicker Man, traduzido em terras brazucas como O Sacrifício, e protagonizado pelo Nicolas Cage. Não assisti a ele, mas não vi críticas muito boas por aí. Não entrarei no mérito, mas quero deixar registrado aqui que remakes estão num campo perigoso, porque a cobrança sempre será muito maior. Enfim, há remakes bons e ruins, e cada um forma sua própria opinião.


      VOLTANDO AO ASSUNTO (foco, Stephanie, haha), falei lá em cima que demorei pra digerir The Wicker Man. E demorei mesmo. Talvez eu só não tenha gostado muito do final, por isso fiquei na revolta. Mas a verdade é que esse filme é uma obra de arte, do seu jeito, porque sabe expor a cultura daquela ilha sem se tornar entediante ou pejorativo. Enfim, gostei. Assistam. =)


      Antes de ir embora, encontrei algumas curiosidades sobre esse filme. 
      Vamos a elas:

- Existe uma música do Iron Maiden (uma das minhas bandas favoritas) chamada “The Wicker Man”. As últimas duas frases da música têm relação com o final do filme;

- Na cena em que Willow (Britt Ekland) dança nua sensualmente no quarto ao lado de Howie, parte das cenas foi feita por um dublê de corpo;

- Há um documentário, de 35 minutos, chamado “O Enigma do Homem de Palha”, que explica algumas cenas do filme, bem como seu processo de gravação;

- Devido ao baixo orçamento utilizado para esse filme, Christopher Lee chegou a afirmar que aceitou "trabalhar de graça".

Resenha por: Stephanie Eschiapati

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Festim Diabólico

Em primeiro lugar, me sinto praticamente na obrigação de agradecer a todos que vêm acompanhando O Filme que Habito. É uma alegria imensa ver o pessoal curtindo a página no facebook, comentando as fotos, dando sugestões. Pra nós, ver filmes já era um prazer; agora, então, nem se fala! Continuem curtindo, comentando e tudo mais, porque a tendência é o blog ficar cada vez melhor. Obrigada, gente!

      Bom, hoje vou falar, pela segunda vez, sobre o mestre Alfred Hitchcock. E só posso dizer uma coisa: quanto mais filmes dele eu vejo, mais indecisa fico sobre qual é o meu preferido.

ROPE (1948)



      Brandon (John Dall) e Phillip (Farley Granger) são dois amigos universitários que se consideram superiores intelectualmente ao resto do mundo. Eles têm umas ideias estranhas sobre tudo, e, devido à sua extrema arrogância, decidem acatar um desafio: cometer o crime perfeito. E a vítima escolhida é David (Dick Hogan), um de seus colegas de escola.

 (Phillip, David e Brandon, da esquerda para a direita, respectivamente)


      Brandon e Phillip o matam (isso não é spoiler), e vão além: resolvem colocar o corpo dentro de um baú e deixá-lo no meio da sala, utilizando-o como mesa para uma festa que darão na mesma noite. Brandon é o que mais demonstra frieza e comanda os atos de Phillip que, no fundo, é só um covarde “maria vai com as outras”. Ele se deixa levar por Brandon mesmo quando não concorda com as ideias dele.


      Enfim, cai a noite e a festa começa. Eles convidam, inclusive, amigos e parentes de David, que não têm a menor ideia do que pode ter acontecido (eles esperam, inclusive, que ele apareça na festa). Entre os convidados está um dos professores de Brandon e Phillip, Rupert Cadell (vivido pelo lindo do James Stewart), conhecido por seu humor ácido e raciocínio elaborado. Na verdade, Brandon nem gosta dele; só o convida para deixar o “desafio” do crime perfeito ainda mais... interessante, digamos.

 (Começa a festa. Percebam que o baú onde colocaram David está com os candelabros e petiscos)

(Eis o professor Rupert Cadell)

      A festa vai rolando tranquila, mas, em alguns momentos, a falta de David é percebida. Nesses momentos, a graça recai nas reações de Phillip: sempre que ouve o nome do falecido, ele sua, treme, corre pra pegar outra bebida. Isso faz com que Rupert comece a perceber que tem coisa estranha acontecendo. Brandon, por sua vez, esbanja frieza e naturalidade, o que, ao contrário do que pensa, instiga ainda mais a curiosidade do professor.

 (A garota é Janet, um "affair" de David) 


      Rope foi filmado em apenas um cenário: sim, preparem-se pra passar uma hora e vinte de filme no mesmo lugar, o apartamento em que moram Brandon e Phillip. Pra quem acha que isso não faz sentido, ou que o filme vai ser muito do sem graça, já deixo claro que não é bem assim. Esse filme é de um suspense SENSACIONAL, e, ainda que eu seja meio suspeita pra falar de Hitchcock, não tô exagerando numa vírgula.

      É como se o espectador fosse um dos convidados da festa. A mobilidade da câmera faz com que você não se sinta entediado de passar o tempo todo “no mesmo lugar”. Além disso, os diálogos – e, os consequentes jogos psicológicos que provêm deles – deixam você grudado na tela pra saber o que vai acontecer.

      Eu não sabia, mas pesquisando pela interwebs vi que a história de Rope é baseada num caso real. Trata-se do caso Leopold-Loeb, em que dois amigos, Nathan Leopold e Richard Loeb, sequestraram e mataram um garoto de 14 anos simplesmente pela vontade de cometer um crime perfeito. Os rapazes eram estudantes da Universidade de Chicago, e o crime ocorreu em 1924 – ambos foram condenados à prisão perpétua.

      Ainda nas “Curiosidades”, Rope foi o primeiro filme em cores de Hithcock. E não foi o único, como se sabe. E foi o primeiro da “parceria” com James Stewart, que esteve presente em outros sucessos do diretor, como Vertigo e Rear Window. E posso dizer, e acredito que muita gente concorde: essa parceria deu MUITO certo.

      Enfim, fico boquiaberta com a genialidade do Hitchcock. Um cômodo, poucos atores, e uma trama deliciosa, que transborda suspense. Gosto muito desse filme e recomendo tanto quanto meu queridinho Psycho. Assistam, vale a pena. Até a próxima.


Resenha por: Stephanie Eschiapati

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Amigo Oculto

      Hide and Seek não é exatamente um filme de terror, e também não é tão adequado para um dia de Halloween, mas é um suspense e um mistério que chegam a dar medo. Portanto, pra esse dia 31/10, mais conhecido como Dia das Bruxas ou Halloween, é um ótimo filme para se assistir sozinho, de noite, com todas as luzes apagadas. Interpretado brilhantemente por Robert De Niro e, assumo, também pela Dakota Fanning, o filme te prende até o final, não permitindo que você desvie sua atenção nem por um segundo, tendo um desfecho impressionante e diferente da maioria dos filmes. O filme é de 2005 – sinto falta, atualmente, de produções tão boas quanto essa. Sei que muita gente que assistiu não gostou, mas ainda considero um dos melhores suspenses que já vi.

HIDE AND SEEK (2005)



      Não vou dar um resumo exato das coisas de que trata o filme, e sim uma visão geral sobre os aspectos psicológicos e principais situações que ocorrem. Vamos tomar por base uma brincadeira que todas as crianças brincam na infância: esconde-esconde. Normalmente, a brincadeira se dá entre pessoas reais, de carne e osso. Porém, a pequena Emily (Dakota Fanning) não possui amigos reais que participam dessa brincadeira, mas apenas um amigo imaginário, e é sobre esse amigo que recai todo o mistério e suspense do filme. O que era pra ser uma brincadeira inocente, infantil, e todas as outras característica pertinentes à infância, esse jogo passa a ser algo sanguinário, tenebroso, enfim, maléfico.

      Tal amigo imaginário chama-se Charlie, que possui um poder, digamos assim, “sobrenatural” sobre todos os fatos terríveis que acontecem durante o filme. Emily diz ao seu pai (Robert De Niro) que Charlie a obriga fazer coisas e que, se ela contar quem ele realmente é, coisas ruins continuarão acontecendo. É aí que entra o suspense: quem é Charlie? Como que David (Robert De Niro), pai de Emily, não consegue vê-lo, e nem qualquer outra pessoa que convive próximo a sua família? Como esse ser imaginário possui um poder tão grande de fazer coisas terríveis, como a morte, por exemplo, acontecerem? David não consegue explicar, e passa a buscar uma resposta desesperadamente com o intuito de “salvar” sua filha das coisas ruins que acontecem dentro e fora de sua casa.


      Há várias possibilidades de quem possa ser Charlie. Tudo começa com a morte da mãe de Emily – devido a esse fato, David decide mudar de cidade, com o propósito de afastar sua filha das lembranças da morte da mãe. A partir disso, poderíamos concluir que Charlie é mais uma tentativa da mente de Emily em procurar abrigo por ter perdido alguém muito próximo, que amava muito. Nada se compara em perder uma mãe. Mas como isso poderia explicar um amigo imaginário que faz coisas horríveis acontecerem? Não existe, ao meu ver, uma explicação lógica (talvez, nos estudos mais profundos da psicologia, exista uma resposta coerente a isso, mas eu, como leiga no assunto, não consigo enxergar).

      A segunda possibilidade, como também acredita David, é que Charlie seja uma pessoa real – pois só assim para se explicar os casos concretos, envolvendo mortes e sangue, que estão acontecendo. Ele chega até duvidar que Charlie seja o vizinho (de acordo com minha memória - aliás, não estou descartando a possibilidade de que seja ele). O único problema é que em toda e qualquer situação, a única pessoa que consegue enxergá-lo é Emily – além, também, das pessoas que morreram (que já não são mais úteis, pois estão mortas).

(Tradução: Agora você consegue ver?)

(Tradução: Você deixou-a morrer)

      E há, também, a terceira possibilidade, que traz o clímax de todo o filme. Tem gente que, desde o começo ou desde a metade do filme, já descobre de quem se trata. Mas não vou excluir as duas possibilidade acima, pois ambas podem estar misturada com esta terceira (ou não – estou apenas acirrando a curiosidade de vocês). Não é exatamente o final em si que traz a surpresa, mas sim a descoberta de quem é Charlie. Ele pode ser um fantasma ou um demônio que se apodera do corpo de alguém; pode ser apenas um amigo imaginário que obriga a própria Emily agir por suas mãos (e, pra quem não sabe, isso caracteriza o crime de autoria mediata – essa sou eu aplicando meus conhecimentos de Direito ao filme, abs.); pode ser um psicopata; pode, ainda, ser um psicopata que finge ser um amigo imaginário – enfim, são inúmeras possibilidades que prendem sua atenção até o final. O desenvolver do filme é algo tão envolvente que não dá pra parar de assistir pela metade sem a curiosidade de saber como termina.


      Já vou avisando: como eu disse, o que é realmente interessante é a descoberta sobre a identidade de Charlie, e não o final do filme em si. Então fica aqui um alerta, pra quem espera que o filme feche com chave de ouro e depois fica por aí reclamando com a barriga cheia. Acredito que o filme seja bem visto sob os olhos de um cinéfilo, mas não de um crítico. Ainda sobre essa questão, o filme recebeu muitas críticas, por ter um desenvolver ótimo e essa quebra do suspense nos atos finais do filme. Para eles (os que criticam), o problema é essa grande revelação final que, de acordo com seus entendimentos, só são feitos para que o filme seja vendido.


      Esses tipos de filmes, com grandes revelações no final, começaram a ser desenvolvidos de forma conhecida a partir de O Sexto Sentido. Mas, na verdade, essa quebra do desenrolar com a surpresa no final remonta desde filmes mais antigos, como o O Gabinete do Doutor Caligari, filme expressionista alemão de 1920, e também com o mestre Hitchcock, que sempre fez a maioria de seus filmes baseados nesse tipo de suspense. A história de O Amigo Oculto é ótima, sim. Quem gosta de filmes do gênero, posso apostar que vai gostar – pelo menos todas as pessoas que conheço, e que eu já troquei ideia, gostaram. Aproveitem o Halloween com esse filme que, mesmo não sendo de terror, possui algumas partes macabras e outras que te deixam com o coração na mão de tanto suspense e curiosidade. Hasta!

Resenha por: Rebeca Reale

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Psicose

      Hey! Stephanie aqui. Hoje vou falar sobre um filme que me deixa bem mais confortável pra comentar, diferente do que aconteceu com The Dictactor. Como eu disse, comédia não é meu gênero favorito; suspense é. E um suspense clássico, dirigido por ninguém menos que Alfred Hitchcock, é amor demais, gente.

PSYCHO (1960)



      Antes de irmos à história, vou deixar clara uma coisinha: pra quem não viu Psycho ainda, comece com o original, não com a refilmagem, de 1998. O filme não é ruim (inclusive traz como protagonista Vince Vaughn, no papel de Norman Bates, e Julianne Moore, como Lila Crane), mas aquele feeling do Hitchcock foi perdido pelo caminho, infelizmente. Fui covarde a ponto de não conseguir assistir à refilmagem até o final. Então, gafanhotos, vejam o de 1960 primeiro.

      Aliás, atirem um tijolo na cara de quem nunca viu ou ouviu falar de Psicose. A grande maioria da população já teve algum contato, mesmo que mínimo, com esse filme, seja com a música, seja com a cena da faca no banheiro. Cá entre nós, pra grande parte do povão, Hitchcock é conhecido só por esse filme. Enfim.

      A história começa com Marion Crane, uma secretária que furta 40 mil dólares da firma onde trabalha. Como toda boa romântica, ela pega o dinheiro para se casar, pois seu par é, digamos, meio pé rapado. Ela foge, troca de carro, mil tretas, até que pega a estrada e se vê forçada a parar em decorrência de uma tempestade. Ela chega, então, no Motel Bates, que, como não podia deixar de ser, é o típico hotel de filme de terror: no meio do nada. É aí que aparece o Norman Bates, papel desempenhado pelo LINDO Anthony Perkins. Fiquei apaixonada, sério, assim como fico em todas as vezes que vejo o filme. Norman tem uma carinha de marido perfeito que desperta confiança imediata.

(Dá pra ver a parede do hotel, à direita. No centro, a casa pouco apavorante do Norman)

      Falar mais sobre a história é certeza de spoiler. Aqui, em se tratando de um blog mais do que subjetivo (tanto que escolhemos os filmes de que mais gostamos), creio que seja realmente necessário fazer uma análise maior do que apenas contar a história em si. 

      Pra quem espera alguma explicação no final do filme, desista. Ele precisaria de umas cinco horas para responder todas as possíveis perguntas do espectador, sem brincadeira. Tanto que a sequência Psycho tem mais três filmes, todos estrelados pelo Anthony, o terceiro até por ele dirigido.

      A história é de uma profundidade psicológica incrível. Você nunca sabe o que está se passando na cabeça de Norman Bates. E o Anthony desempenha esse papel com uma maestria que, na minha opinião, o Vince Vaughn não desempenhou na refilmagem. Anthony tem o poder de mudar de expressão tão rápido que você o ama e o odeia, desconfia e põe a mão no fogo por ele, em frações de segundo. Ao fim do filme, ele te faz pensar sobre tudo o que você assistiu, e te faz ficar com vontade de ver o Psycho II, depois o III, depois o IV...

      Ainda vou falar sobre eles por aqui. Por enquanto, fiquem com uma imagem clássica, tão clássica quanto o filme, e que, melhor de tudo, não dá muito spoiler. Até.


Resenha por: Stephanie Eschiapati